Em meio à onda de assaltos a coletivos, SSP-BA afirma redução dos índices

100_42351A queda registrada pela Secretaria de Segurança Pública é de 28% com relação ao mesmo período do ano passado

Por Clarissa Pacheco

Embora a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-BA) e o Grupo Especial de Repressão a Roubos em Coletivos (GERRC) da Polícia Civil afirmem que as ações tenham sido intensificadas, possibilitando uma redução de 28% no índice de assaltos a ônibus urbanos em Salvador com relação ao mesmo período do ano passado, é notório que a violência em coletivos tem se evidenciado nas últimas semanas. Até o dia 13 de abril, treze assaltos haviam ocorrido, com três mortes.

A gravidade da situação se exemplifica no último feriado, dia 21 de abril, quando dois coletivos foram assaltados numa mesma via da cidade baixa, seguidamente e pelo mesmo grupo. Além dos caixas dos ônibus, aproximadamente 30 pessoas também tiverem seus pertences levados, como celular e dinheiro. Dos três integrantes do grupo, dois estavam armados. A região metropolitana vem sofrendo também com o problema. Lauro de Freitas registra o maior número de assaltos – com mortes – nos últimos dias.

O delegado Antônio Cláudio Pereira Oliveira, titular da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR) e coordenador do GERRC, fala, em informações oficiais da SSP-BA: “Como resultado do reforço das ações de combate aos roubos a ônibus, Salvador registra, hoje, uma média diária de quatro ocorrências, contra os mais de 30 assaltos que aconteciam quase todos os dias antes da criação da GERRC”. O Complexo Policial da Baixa do Fiscal, onde fica a GERRC, já instaurou este ano mais de 60 inquéritos. O delegado completa: “Muitas vezes, um único criminoso põe em risco a integridade física de dezenas de passageiros no interior de um coletivo”.

As denúncias podem ser feitas através do serviço de Disque-Denúncia da Secretaria de Segurança Pública (3235-0000) e do telefone do GERRC (3312-2961). O site da SSP-BA (www.ssp.ba.gov.br) também conta com o serviço de registro de boletim de ocorrência on-line. A frota de ônibus urbanos em Salvador hoje conta com 3.150 veículos, além de 1.850 ônibus metropolitanos.

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Baianos manifestam-se em favor da exigência de formação para jornalistas

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STF julgará, nesta quarta, o recurso extraordinário que pode pôr fim à obrigatoriedade do diploma

Será votado, nesta quarta-feira (1º de abril), pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o Recurso Extraordinário que pode extinguir a obrigatoriedade do diploma para o exercício da atividade jornalística no Brasil, além da anulação da Lei de Imprensa. Em caráter de protesto, sindicatos da classe de 11 estados realizaram, nesta terça-feira, manifestações em favor da manutenção da exigência da formação superior específica em jornalismo para jornalistas. Em Salvador, o protesto contou com a presença de professores, estudantes e profissionais de jornalismo, principalmente ligados ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba), em parceria com o Fórum Nacional de Professores de Jornalismo – Regional Bahia.

Reunidos em frente ao Fórum Rui Barbosa, no Campo da Pólvora, os manifestantes, vestidos de preto, deixam claras suas idéias e a importância de manter o diploma e o conhecimento adquiridos na faculdade como fundamentais para o exercício da profissão. O estudante Lindomar Assis esteve presente no local. “Todos os profissionais das diversas áreas, sejam médicos, enfermeiros, advogados, dentistas, têm direito ao diploma. Isso também é um direito nosso enquanto jornalistas. Há a necessidade da formação teórico-científica para exercermos a profissão. Não é justo que nós, estudantes de Jornalismo, que batalhamos tanto, venhamos a perder esse direito”, afirma.

A jornalista e professora substituta da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, Lia Seixas, diz que se preocupa com as competências que o jornalista precisa ter para fazer jornalismo. “A técnica em relação às mídias, digamos, se aprende em um ano e meio ou dois anos. Mas, a questão não é essa. A questão é: o que é notícia? Porque a mídia tem um poder muito grande agendar a sociedade. Mas, é claro, nem tudo que está no jornal é jornalismo. Eu sou a favor da formação porque eu não acredito ser possível uma boa reportagem sem um bom curso de jornalismo por trás”.

Caso a posição do STF seja contrária à classe, a profissão ficará desregulamentada, uma vez que a exigência do diploma, um dos seus maiores pilares, será eliminada. A profissão completa 70 anos de regulamentação e 40 de criação dos cursos superiores de Jornalismo. De acordo com o “Manifesto à Nação”, publicado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), “derrubar este requisito à prática profissional significará retrocesso a um tempo em que o acesso ao exercício do jornalismo dependia de relações de apadrinhamentos e interesses outros que não o do real compromisso com a função social da mídia”.

Texto: Clarissa Pacheco e Karina Brasil

Foto: Karina Brasil

Matéria publicada em www.agenciabaiana.com.br

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Sobre Café e Cigarros: a linguagem não-verbal e o poder de transmitir idéias

Raras semelhanças, constantes discrepâncias. É assim que se desenrola “Sobre Café e Cigarros”, de Jim Jarmusch. Comunicação é crucial no desenvolvimento da obra, embora nem sempre esta seja capaz de reger os acontecimentos mais banais.

Discrepância. É esta a principal característica que pontua os diálogos de Sobre Café e Cigarros. O filme de Jim Jarmusch, que se desenvolve na forma de curtas metragens[1], usa gestos, olhares, expressão corporal como um todo, além da comédia, para criar situações comunicativas entre pessoas com pouco em comum.

 

Nas situações desenvolvidas ao longo do filme, os atores interpretam a si próprios (com uma única exceção a ser detalhada mais à frente), portanto é natural a necessidade de algo em comum, como um ponto de partida que possibilite a comunicação; nesse caso, café e cigarros. Muitas vezes, a falta de afinidade ou mesmo de um relacionamento pessoal[2] impossibilita uma troca de informações contínua, e a comunicação não-verbal passa a atuar como estratégia principal para o diálogo.

 

Em determinados momentos, a atenção do espectador se torna mais aguçada, uma vez que o silêncio dos personagens e as suas ações e/ou reações não-verbais o fazem compreender todas as tensões presentes na cena, sem que, para isso, seja necessária uma única palavra do comunicador ou do intérprete[3].

 

Nota-se que, em todos os encontros, um dos presentes oferece uma xícara de café e um cigarro, quando já não entram em cena bebendo ou fumando (excetuam-se as cenas “Primos?”, onde os personagens tomam chá, e “Delírios”, onde apenas um deles – Bill Murray – toma café). É esse o ponto de partida. A contar desse momento em diante, observa-se que a comunicação torna-se mais fluente. Os (poucos) assuntos em comum são tratados, e logo então, diante de um silêncio constrangedor, a linguagem não-verbal começa a fazer a comunicação se manter. Gestos, olhares, expressão corporal se fazem entender, muitas vezes, mais facilmente do que a linguagem verbal.

 

Nas situações apresentadas, os interlocutores que não se conheciam previamente mantêm uma relação social, com um distanciamento parcial. Isto ocorre na segunda cena (“Gêmeos”), onde os irmãos Joie e Cinquè Lee procuram manter uma distância considerável do garçom interpretado por Steve Busceni. Este, no entanto, procura um tratamento um pouco mais social dos irmãos, falando de um tema que julgava ser comum aos três (Elvis Presley), que na verdade não o era.

 

Essa tensão se repete no 11º caso (“Primos?”), em que o ator Alfred Molina se descobre primo do também ator Steve Coogan, este, no entanto, muito mais bem sucedido profissionalmente que ele. Molina espera do ídolo um grande entusiasmo ao ser comunicado do parentesco entre eles, entretanto Coogan não o manifesta e prefere manter uma relação pouco social, na verdade até mesmo pública, passando a tratá-lo com indiferença. Em determinado instante, uma fã de Steve Coogan se aproxima e lhe pede um autógrafo, o que causa uma expressão de extrema inveja por parte de Molina, essencialmente quando a fã, interpretada por Katy Hansz, é informada de que ele também é ator e o trata com indiferença. Ainda nessa cena, percebe-se que a linguagem não-verbal se sobrepõe à verbal de forma evidente, quando Molina pede o telefone do “primo” Coogan e este se nega a lhe conceder. A expressão de decepção misturada ao constrangimento é inegável. Em seguida, percebe-se que Coogan também se rende à linguagem corporal, quando Molina se retira da mesa para atender ao celular e conversa com Spike (Lee?). Ao fazer essa suposição, Steve Coogan passa a comportar-se de forma bastante interessada na conversa de Alfred Molina, demonstrando um enorme desejo de conhecer o suposto Spike Lee. Quando Molina retorna à mesa e, ao ser questionado a respeito do Spike, responde que se trata de Spike Jonze, Coogan se mostra ainda mais interessado e tenta passar o seu telefone, outrora negado ao “primo”. Este, numa expressão de inconfundível indiferença com uma “pitada de vingança”, recusa-o. O desapontamento de Coogan ao receber a resposta é tão evidente que o “Droga” dito por ele no final da cena faz-se completamente desnecessário.

 

Por outro lado, nos curtas de número seis (“Sem problemas”) e sete (“Primas”), nota-se uma relação um pouco mais pessoal, uma vez que os personagens envolvidos são próximos. Na primeira situação, embora não se vejam há algum tempo, Alex Descas e Isaach de Bankolé são melhores amigos. Eles se olham nos olhos, além de se abraçarem e sorrirem quando se despedem. No segundo caso, as personagens também não se vêem há um certo tempo, entretanto mantêm uma relação próxima por meio dos olhares e gestos. Nesse caso, a aproximação física é um pouco menos evidente, provavelmente se justificando pelo fato de que Cate Blanchett interpreta a si mesma e a uma prima longe do mundo das “celebridades”, o que pode tentar mostrar uma certa distância entre o seu lado “famosa” e o outro lado “normal”.

 

Mais uma cena que evidencia o uso da linguagem não-verbal como indispensável é a de número cinco (“Reneè”). Reneè French está sentada sozinha em uma mesa tomando café, enquanto fuma e lê algo do tipo “FAÇA SEU PRÓPRIO PEDAL DE MOTOCICLETA”. A quantidade de leite posta no café é quase “milimetrada” de tão exata, bem como o açúcar. Logo em seguida o garçom, interpretado por E. J. Rodriguez, lhe oferece mais café e o põe em sua xícara antes mesmo que Reneè possa dizer que ele não deveria fazê-lo, pois o café estava na cor e temperatura exatas. Por repetidas vezes durante a seqüência, o garçom volta à mesa da cliente para lhe oferecer café novamente e lhe perguntar se não deseja comer algo. Essa repetição, a princípio, traz um certo desconforto a Reneè. No entanto, ao final da cena, um sorriso um tanto quanto disfarçado ajuda a desfazer a expressão de dureza do rosto de Reneè French e passa a dar-lhe um ar mais leve e descontraído.

 

A análise comportamental das personagens de Sobre Café e Cigarros estaria incompleta se não fosse abordada a maneira de eles interpretarem as situações a que são submetidos. A estruturação cognitiva da realidade[4] de cada um dos interlocutores em todas as cenas do filme acentua as afinidades de cada comunicador com seus respectivos intérpretes. O título do primeiro diálogo (“Estranho conhecê-lo”) supõe por si só que, apesar de não se conhecerem previamente, os seus protagonistas teriam características em comum, como por exemplo, o fato de ser bastante receptivo a conhecer novas pessoas e se relacionar de forma descontraída com elas. O mesmo mostra-se perceptível na situação de número dez (“Delírios”), uma vez que os personagens GZA e RZA se mostram bastante entusiasmados com a chegada do novo personagem à cena – Bill Murray – e vice-versa. Nesses casos, observa-se que a capacidade de interpretar o conteúdo dos impulsos externos e transformá-los em ações é semelhante nos participantes da cena, o que ocasiona uma sintonia maior entre eles.

 

Há casos, entretanto, em que essa sintonia não ocorre perfeitamente, uma vez que a interpretação dos impulsos externos não coincide. Estas situações estão mais propícias a provocar conflitos. Exemplificando, o diálogo pouco amigável entre os irmãos Lee na cena “Gêmeos”, e o garçom interpretado por Steve Buscemi. Fica evidente que a identificação e a atribuição de sentido à idéia do “rei” Elvis Presley foi completamente distinta entre eles.

 

Há ainda as cenas “Em algum lugar da Califórnia”, “Essas coisas vão matá-lo” e “Jack mostra a Meg sua bobina de Tesla”, destinadas a comprovar que nem sempre fazer parte de um mesmo grupo social ou uma mesma família é uma garantia de que comunicador e intérprete irão possuir uma estruturação cognitiva da realidade semelhante. No primeiro caso, apesar de ambos gostarem de música, Iggy Pop e Tom Waits se desentendem, uma vez que a atribuição de sentido feita por Waits a uma frase de Iggy Pop teve repercussão extremamente diferente do que este esperava. O conflito entre esses dois personagens é mais forte no que diz respeito aos olhares trocados após a frase dita do que a própria resposta dada por Tom Waits ao seu interlocutor. No segundo exemplo, o mais claro caso de comunicação não-verbal se dá entre o pai Vinny Vella e o filho Vinny Vella Jr. O filho não diz uma palavra sequer, mas o pai entende tudo perfeitamente e é capaz de discutir e ainda discordar.

 

Por fim, a última situação a ser relatada (“Champanhe”) mostra um diálogo entre pessoas da mesma classe social, dois colegas de trabalho (Bill Rice e Taylor Mead). O modo de identificar, organizar isoladamente e atribuir sentido às coisas mostra-se semelhante quando os colegas concordam que o café que tomam está horrível mas, ainda assim, seguindo a sugestão de Taylor, decidem imaginar que tomam champanhe e, imediatamente, comentam que provam o “néctar dos deuses”.

 

Diante da análise e da argumentação feita ao longo do texto, percebe-se a existência de inúmeras situações relacionadas à comunicação não-verbal. Torna-se claro que um diálogo não precisa ser feito apenas com palavras. Ao contrário disso, em diversas ocasiões, os gestos, os olhares, a expressão corporal se mostram auto-suficientes quando o objetivo é mostrar o que se pensa, essencialmente nos momentos em que as palavras não seriam claras o bastante para transmitir pensamentos. Nota-se ainda que a estruturação cognitiva da realidade de cada indivíduo é ferramenta indispensável para que haja entendimento entre os mesmos, ainda que, deve-se salientar, não seja preciso que estas estruturações sejam semelhantes. Pode haver coincidência ou não no modo de interpretar estímulos por parte dos interlocutores, mas a inexistência de semelhanças não se faz um empecilho para a comunicação. Entretanto, deve-se lembrar que semelhanças certamente auxiliam a superação de tensões, bem como diferenças acentuam conflitos. A comunicação, afinal, sobrevive de concordâncias e discrepâncias.

Foto: Divulgação

Trabalho entregue à professora Lílian Reichert, pela disciplina Teorias da Comunicação I.

 

 

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Lili Sanches mostra criatividade argentina no Pelourinho

Argentina, 54 anos. 35 no Brasil e destes, 32 vividos na Bahia. O clima e a cultura a atraíram e desde então este é o lugar escolhido por Lili Sanches para inspirar a sua arte. Seu trabalho resulta do olhar artístico sobre a cultura popular baiana e sua influência sobre os diversos povos que freqüentam o estado. Por que será que o Brasil se mostra tão encantador para esta baiana de coração?

 

 

Clarissa Pacheco: Há quanto tempo você trabalha aqui no Pelourinho?

Lili Sanches: Desde 1993, há 15 anos.

 

Clarissa: Quando você veio para o Brasil?

Lili: Há 35 anos. Eu não vim direto para a Bahia. Morei três anos no Rio de Janeiro, me casei lá, tive um filho. Só depois que vim pra Bahia e estou aqui há 32 anos.

 

Clarissa: Você sempre trabalhou aqui no Pelourinho?

Lili: Non, yo trabalhei também na Praça da Piedade. Mostrava o meu trabalho lá, mas depois vim pro Pelourinho porque a concentração maior de turistas e artistas era aqui.

 

Clarissa: A gente sabe que o Pelourinho ainda é visto como uma área marginalizada. Você acha que por isso diminuiu o número de turistas por aqui?

Lili: Diminuíram os turistas por conta da queda do dólar. A segurança sempre teve. O Pelourinho já foi pior. O Pelourinho já foi muito pior.

 

Clarissa: Você está aqui no Brasil há muito tempo… Você mora sozinha aqui?

Lili: Si, moro sozinha.

 

Clarissa: E a família? Você não sente falta das pessoas que ficaram lá na Argentina?

Lili: Tenho um filho carioca. Mas ele mora na Argentina… (risos) Tem 29 anos. Ele é formado em Comunicação Social, é crítico musical. Eu gosto daqui, do clima daqui. Mas eu sempre vou pra lá. De dois em dois anos eu vou pra lá e fico dois ou três meses. Depois eu volto, venho trabalhar de novo (risos).

 

Clarissa: Eu já vim algumas vezes aqui, conheço o pessoal daqui do beco dos artistas, mas é a primeira vez que te vejo. Você vem todos os dias?

Lili: Não venho todos os dias, geralmente sábado e domingo. Esses dias eu sempre venho. É que o meu trabalho é todo feito com pincel, muito trabalhoso. Tem que fazer na oficina. Então eu passo a semana toda produzindo, né? Depois eu trago pra cá no final da semana.

 

Clarissa: As pessoas passam e te cumprimentam! Você é bastante conhecida por aqui! Seu trabalho já passou por exposições?

Lili: Si, si! Fiz exposição no Teatro 18, Aliança Francesa, Alambique, no MAM de Feira de Santana, no Centro Cultural Caetano Veloso, em Santo Amaro. Vários lugares! Ah, e tenho exposição permanente também no Solar Ferrão e na Galeria 13.

 

Clarissa: Você só pinta em camisas e bolsas?

Lili: Non, pinto em telas também, mas não vendo. È só para mim mesmo. Faço pesquisa em pintura com a Irmandade da Boa Morte, de Cachoeira, e do Carnaval. O meu trabalho é todo assim! Carnaval e Irmandade da Boa Morte. Trabalhei com xilogravura por muito tempo. É a minha paixão! Mas acabaram com as ferramentas no MAM e no CUCA de Feira de Santana…

 

Clarissa: O seu trabalho é mais consumido por estrangeiros ou brasileiros?

Lili: Geralmente estrangeiros, brasileiros, de qualquer lugar do mundo. É quem gosta de arte! Não tem nação, o meu trabalho! (risos)

Foto: Karina Brasil  /  Texto: Clarissa Pacheco

Trabalho entregue ao professor Nelson Soares, pela disciplina Fotojornalismo II.

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Dança conquista terceira idade

Frequetadoras do Clube da Maior Idade Renascer, Raimunda Eleno e Elízia Gonçalves mostram sua paixão pela dança de salão.

Clarissa: Qual o seu nome e idade?

Dona Raimunda: Raimunda Eleno, 69 anos.

Dona Elízia:Elízia Gonçalves Prazeres, 81 anos.

 

Clarissa: A senhora é aposentada? Qual era a sua profissão antes da aposentadoria?

Dona Raimunda: Sou aposentada. Era professora de Educação Física.

Dona Elízia: Eu sou pensionista. Nunca trabalhei não, minha filha. Naquela época mulher não trabalhava não. Eu era dona de casa. Fazia prendas. Naquela época quem tinha emprego e era casada tinha que largar o emprego.

 

Clarissa: Há quanto tempo a senhora freqüenta o Clube da Maior Idade Renascer?

Dona Raimunda: Há uns dez ou 11 anos. Tem 11 anos que eu freqüento o Renascer. Quase desde o tempo que ele surgiu.

Dona Elízia: Ah, tem uns três anos por aí, né? (sic) Três a quatro anos. Eu faço parte de três grupos. Eu tenho que me virar nos 30, viu?! (sic) (risos)

 

Clarissa: Como surgiu o seu interesse pela dança? A senhora sempre dançou ou esse prazer pela dança é algo recente?

Dona Raimunda: Bem, eu sempre tive interesse pela dança, porque em Educação Físicaa gente fazia ginástica rítmica. E jovem eu dançava muito rock. Dança mambo, salsa, rock. Escondido, mas dançava! (risos) Primeiro veio o mambo e o samba. Depois veio o rock. Quando eu casei tive que largar tudo isso. Me aposentei, voltei a dançar dança de salão (sic), voltei a fazer aquilo que eu sempre gostei. Entrei pro grupo Renascer e vim fazer dança de salão. Não faço só dança de salão, faço teatro, faço ginástica cerebral. Porque sempre gostei! Faço ginástica aeróbica.

Dona Elízia:Ah, eram as colegas que faziam dança e me chamaram pra dançar também. Meu telefone, meu celular, minha televisão, minha dança. Faça tudo, mas não me tire nada disso! (risos)

 

Clarissa: A senhora é casada, tem filhos? Eles dançam também?

Dona Raimunda: Sou separada e tenho três filhos e uma neta. Não. Uma é professora de inglês, a outra trabalha na polícia federal e o rapaz é lutador de vale-tudo.

Dona Elízia:Não, eu sou viúva há 30 anos. Eu tive dois casais. Não, que nada! (risos) Minha filha caçula que me leva pras danças, ela é advogada. Me leva, me larga lá na porta do Espanhol e volta só no final (sic). Ninguém gosta não, só eu. Também quando era jovem eu nunca tive chance. Meu marido não gostava de dança, meu pai, quando eu era criança nunca deixava eu dançar em lugar nenhum (sic). Não sabia lugar dança, não sabia nada da vida!

 

Clarissa: A pessoa que me indicou o seu nome para a matéria, Dona Dulce, presidente do Clube Renascer, me disse que a senhora tem uma história linda com a dança. A senhora poderia me contar essa história?

Dona Raimunda: Eu participo de tudo. Tudo quanto é negócio de dança eu te (sic). Eu danço tango, eu danço a gafieira, eu danço samba, eu danço bolero, eu danço o samba-rock, eu faço dança do ventre. Quer dizer, eu gosto da dança. É como eu disse, eu sempre quis fazer dança desde criança, mas naquele meu tempo era proibido. Quem fazia dança era o quê?… Entendeu? Quem fazia dança era… Não precisa dizer. Então eu dançava escondido. Agora que eu não posso dançar com as possibilidades que eu tinha quando era jovem, eu to dançando agora (sic). Não vai ser a mesma coisa que se eu tivesse com 20 anos, aí a coisa ia ser braba (sic) mesmo! (risos) Ela diz isso porque eu gosto muito de dançar, ela sabe. Eu sempre tenho um jeito de dança, de ta (sic) alegrando o povo aí, dançando. Quando ela diz que eu tenho uma história linda com a dança é porque eu fui proibida de dançar, e fui fazer agora o que não pude fazer quando era jovem. Mas eu adoro dançar! O povo me diz: “Não fique dançando muito assim que você pode morrer”. Morro dançando e morro feliz! (risos)

 

Clarissa: A senhora já ganhou várias medalhas pela dança, não é verdade? Sempre participou de competições? Freqüenta muitos bailes? A senhora conhece o Baile Azul e Branco do Restaurante Lugar Comum?

Dona Raimunda: Ganhei agora o segundo lugar na gafieira, no Ballace, esse final de semana. Domingo, dia 25. Ganhei também o Oscar da Dança em 2007. Dancei o tango na Associação Atlética em 2005. Dancei também no Hotel da Bahia, foi em 2006, agafieira (sic). Dancei o zouk no Aeroclube para os ciganos que estavam lá tocando, que eram os amigos da gente. Dancei com esse professor que é meu afilhado, Abraão. Participei de competições só agora, que tirei o segundo lugar. O Oscar eu ganhei porque eu dancei o tango. Não, não freqüento os bailes, só aqui no renascer e no Espaço Dez quando eles pedem pra dançar. Já dancei no Campo Grande. Eu não vou porque eu não tenho como voltar sozinha. E também eu não gosto de perder noite não. Nunca fui no Azul e Branco, não. Eu vou no Vermelho e Branco, que é daqui. E tem o bloco no carnaval daqui a Associação também, que eu já fui porta-bandeira duas vezes.

Dona Elízia:Não, não. Só apresentações mesmo, no Shopping Itaigara, no Shopping Lapa. Eu vou, eu vou. Vou pra todos os bailes, não perco um! Não quer saber nem do horário! E eu só gosto de sair no lixo! (risos) Entro de madrugada e só saio no lixo! Se for pra ficar até de manhã eu fico! (risos) Não chamo pra ir embora, não cochilo, nem nada! Ir pra festa cochilar? É ruim! Não pe perder noite, é ganhar noite! (risos) Pois eu já fui nos dois: Azul e Branco e Vermelho e Branco.

 

Clarissa: Tem alguma coisa que a senhora ainda gostaria de falar para as pessoas que não dançam por causa da idade?

Dona Raimunda: Ah, eu acho que isso é preconceito. Eu acho que todo mundo deve dançar, porque a dança faz bem à saúde, à alma. A dança faz a gente se sentir mais jovem! A melhor terapia que tem é a dança! Se eu pudesse voltar atrás eu dançaria mais! Quando eu to na dança eu esqueço tudo!

Dona Elízia: É a terapia, isso é uma bobagem! Todo mundo tem direito de dançar, tem direito de se divertir, com dor ou sem dor! Toma um remedinho e vai! (sic) A gente esquece da dor, esquece tudo.

 

Trabalho entregue às professoras Jussara Maia e Mônica Celestino, pelas disciplinas de “Técnicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística” e “Redação I”, respectivamente.

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Ela faz jus à fama e mostra que a dança pode realmente transformar a vida das pessoas.

A fama de excelente bailarina e professora de dança não caiu por terra quando eu a conheci. Ela realmente faz jus à fama que possui entre alunos, amigos e profissionais da dança. Sorridente, atenciosa e extrovertida. Esta é Carmem Oliveira, mais conhecida como Mima, que me recebeu em uma de suas aulas de dança de salão e mostrou que dançar, realmente, faz bem à saúde e a alma!

Clarissa: Qual o seu nome, idade e profissão?

Professora Mima: Carmem Oliveira, 51 anos. Sou professora de dança.

 

Clarissa: Há quanto tempo a senhora dança?

Professora Mima: Danço desde os seis anos. Há 45 anos.

 

Clarissa: A senhora tem formação na área de dança?

Professora Mima: Minha formação em dança é técnica. Sou bailarina clássica formada pela EBATECA, e especializada em salão. Eu e Jorge, meu esposo e também professor de dança, somos formados pela EBATECA (Escola de Ballet do Teatro Castro Alves) com curso de jazz, música (Escola de Música da Bahia) e especializados em dança de salão pelos professores Carlinhos de Jesus e Jaime Arôxa para cursos regulares. Temos especialização em tango pelo professor Alfredo Garcia (argentino) e especialização em swing-americano, pelo professor Eduardo Hogan.

 

Clarissa: Qual a freqüência dos idosos na academia? As turmas são grandes?

Professora Mima: São turmas mistas com idosos. 50% são idosos. Temos aproximadamente nove turmas. Em média  20 a 30 casais. Uma turma em que jovens se relacionam com idosos é perfeito! É uma troca. Mesmo assim lidamos com casos de preconceito.

 

Clarissa: A maioria dos alunos se inscreve nas aulas com um parceiro de dança ou conhecem o parceiro durante as aulas?

Professora Mima: Maioria mulheres e apoio dos assistentes. Os assistentes são pares nas aulas, além de par constante em bailes.

 

Clarissa: Vocês costumam freqüentar bailes junto com os alunos? Há esse costume entre eles?

Professora Mima: Sim. Os assistentes são contratados para acompanhar na noite para que não tomem o famoso “chá de cadeira”. Eles têm agenda constante. Fazem curso de bolsista conosco num curso de multiplicadores e são treinados para atender as senhoras. A alto-estima delas eleva!

 

Clarissa: O professor Roberto, do Baile Azul e Branco comentou que às vezes não tem parceiro para todas e um só rapaz acompanha três ou quatro senhoras no baile.

Professora Mima: Ele é de acordo ou não?

Clarissa: Sim, com certeza!

Professora Mima: Tem um professor aqui em Salvador que é contra. São acompanhantes, não “homens”. É trabalho.

Clarissa: Claro, o objetivo é dançar, não?

Professora Mima: Sim.

Clarissa: Você diz que às vezes há preconceito…

Professora Mima: O preconceito de algumas mulheres em não contratar para não caracterizar “cafetinagem”. Às vezes quando telefonam para informações sobre a dança perguntam qual é faixa. Tanto jovem quanto mais velho. Alguns querem saber antes de se inscrever.

Clarissa: Isso é um pouco estranho. Se assim posso dizer, contrário à filosofia da dança, não?

Professora Mima: Sim, nós é que quebramos isto sempre. Cabe a nós sempre lembrarmos o que é a dança e seus objetivos. E isto muda. Há dez anos atrás era terrível.

Clarissa: Você quer dizer que há dez anos atrás não existiam turmas mistas?

Professora Mima: Há dez anos atrás existia um problema sério com as mulheres e/ou homens que iam dançar nas escolas. Elas eram vistas como dançarinas expostas aos homens, quando iam buscar somente distração. Daí tivemos apoio e reconhecimento do nosso trabalho de pesquisa e benefícios da dança com a saúde. Mudamos isto.

Clarissa: Isto com certeza deve ser gratificante!

Professora Mima: Casais brigavam porque marido ia sem a mulher para arranjar mulheres na dança (sic). A dança era responsabilizada pelas separações. Presenciei escândalos, inclusive na sala de aula. Daí as pessoas faziam escondido. Fizeram um filme, “CHEGA DE SAUDADE”, nacional, que reporta tudo isto. Realidade pura, impressionante. Todos os personagens são reais. Inclusive fomos nós a marca que fizemos a pré-estréia no Iguatemi. Fomos convidados para abrirmos o salão com a trilha sonora.

 

Clarissa: A  senhora sente que os idosos que fazem dança de salão hoje são essas pessoas que dançavam escondido há algum tempo, ou a maioria descobriu esse prazer pela dança recentemente?

Professora Mima: Tenho um caso de uma aluna que para fazer aula pela manhã dizia ao marido que ia à feira comprar banana… (risos)

Clarissa: (risos) Isso há dez anos ou hoje em dia?

Professora Mima: Há dez anos. Ele ficou doente na cama em casa inválido e ela se distraía com as aulas. Se jogava (sic) no chão para não deixar ela sair. (risos)

Clarissa: E essa doença surgiu depois que ele descobriu que ela dançava?

Professora Mima: Na verdade ele nunca tomou conhecimento da dança. Fizemos um espetáculo no ano 06 chamado “MULHERES” e criamos um quadro em que Dona Ninha saía para as aulas escondido do marido (risos). Ela vive este sonho que é dançar. É um exemplo de vida. Foi escravizada pelo marido, criou filhos e quando ele morreu e ela teve independência total se operou de urgência e ficou um tempo com o intestino para fora do corpo, impedida de dançar. Assim que ficou boa voltou imediatamente e participa de todos os eventos, inclusive espetáculos.

Clarissa: Realmente uma história de amor com a dança.

Professora Mima: Você me disse por e-mail que entrevistou Dona Raimunda Eleno. Conheço sua entrevistada! Uma figura! (risos) Outra historia de amor com a dança. Concorreu nesse fim de semana ao Ballace, encontro nacional de dança e ganhou!

Clarissa: Ah sim, o Ballace, claro!

Professora Mima: Você foi?

Clarissa: Não, infelizmente. Eu estava viajando. Ela me disse tudo isto na entrevista.

 

Clarissa: O que a senhora acredita ser o papel terapêutico da dança na vida dessas pessoas?

Professora Mima: Além do papel terapêutico, a dança ajuda a manter a saúde. As aulas em grupo promovem a socialização, o combate à depressão, além de haver aquela troca entre os jovens e os mais velhos. As pessoas ficam felizes quando dançam!

Clarissa: Tem algum ritmo específico da dança de salão mais indicado para pessoas da terceira idade?

Professora Mima: Eu não diria o mais indicado, mas com certeza o que eles mais gostam é o bolero. Por ser fácil de dançar, eles respondem bem a todos os movimentos. Além de relembrar a questão do romance. Está bem ligado à época deles, à época em que eles viveram, então eles se sentem bem dançando bolero. Até hoje eu ainda não tive nenhuma aluna que não tivesse respondido bem a todos os movimentos, de todas as danças. E eu digo alunas porque os giros, aquilo que exige mais do corpo vem da dama, e o cavalheiro a conduz. Mas o bolero é o favorito entre todos os tipos de dança. Eles adoram mesmo!

 (Entrevista feita com o intuito de produzir uma matéria sobre Dança para Terceira Idade, pela Disciplina Redação I)

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Convergência Midiática e Jornalismo

 

Realizado mensalmente há dois anos pelo curso de Jornalismo da Faculdade Social da Bahia, o Café com Prosa do mês de abril contou com a presença de Leila Nogueira, Marcelo Freire e Fernando Firmino, que levaram um papo com os alunos sobre Convergência Midiática e Jornalismo.

Uma dos três componentes da mesa que discutiu Convergência Midiática e Jornalismo na última quinta-feira, 24, Leila Nogueira mal aguardou que os gravadores fossem postos à mesa e, após rápidas palavras, disparou: “Quando a gente fala de convergência, a primeira coisa que vem à mente é divergência”. O evento promovido pelo curso de Jornalismo da Faculdade Social que contou também com a presença dos professores Marcelo Freire e Fernando Firmino se dedicou a discutir Convergência Midiática e Jornalismo, assunto que, segundo a própria Leila Nogueira, ainda não conta com uma definição concreta.

 

Baseada nos estudos do professor Ramón Salaverría, da Universidade de Navarra, Leila cita os diversos âmbitos da convergência e reproduz ainda o pensamento do colega ao dizer que “o jornalista não seria o jornalista do meio, mas sim o jornalista da marca”. A professora fala sobre a necessidade da mudança de comportamento diante dessa convergência, pois é necessário trabalhar bem a favor da boa informação.

 

Tendo como área de maior interesse a transmissão de TVWeb, Leila explica vantagens de descentralização da produção e de redução de custos, e destaca o uso do celular como um dos tipos de tecnologia com maior utilidade em termos de audiovisual para o modelo convergente, mas atenta para a necessidade de uma apuração jornalística para a exibição do vídeo, não sendo qualquer vídeo apto para ser veiculado.

 

Rapidamente falando sobre a questão dos direitos autorais do material usado nas transmissões (foto, vídeo, texto), já que a convergência abrange a utilização de linkagem, Leila passa a palavra ao professor Marcelo Freire, que discute a narrativa multimidiática.

 

Marcelo Freire menciona que é possível haver o “contar de histórias” na web, mas procura falar com maior aprofundamento daquilo que pode ser trazido do convencional para a web. “O texto para rádio conta com um cenário ambiental, o cenário sonoro que é criado pelo repórter de rádio, e tem uma estrutura bem peculiar”, diz Freire. Em seguida, comenta que o texto para TV tem elementos bastante claros: a cabeça, o off, a sonora e a passagem. Uma estratégia para manter o telespectador até o final do jornal. Já na internet, “há a possibilidade de usar os três tipos de mídia, mas pode-se optar por qual tipo de mídia vai ser utilizado, e isso faz a grande diferença”, comenta.

 

Marcelo fala de uma nova forma de contar histórias, á que nem todo texto publicado na internet é feito para internet.

 

A principal obrigação agora, segundo Marcelo, “é dar sentido ao que o internauta lê, manter a coerência”.

 

Segundo Marcelo Freire, na internet, a marca não é tão importante, uma vez que a maioria dos internautas procura no Google as notícias de seu interesse.

 

Último do convidados a falar, o professor Fernando Firmino estuda a convergência do ponto de vista profissional e tecnológico. Firmino fala do projeto pernambucano “Notícia Celular”, que utiliza a espontaneidade do flagra feito por aparelhos celulares para produzir vídeos para a televisão em transmissões ao vivo. Segundo Fernando, a convergência traz, dentro do contexto profissional, um acúmulo de funções, uma vez que o repórter poderá produzir o texto, a foto, o vídeo, sem a necessidade de um fotógrafo ou um cinegrafista.

 

Para Fernando Firmino, “a convergência traz mobilidade não só para o profissional do jornalismo, mas também para os usuários, porque eles começam a acessar essa informação em mobilidade. Na minha opinião, ele vai começar a exigir uma notícia em tempo real, uma atualização mais freqüente”.

 

Firmino segue falando sobre projetos na Reuters, na BBC e na Band, e encerra seu trabalho dando lugar à professora Débora Lopes, que abre o tempo para questionamentos.

 

Questionando sobre a importância de se discutir o tema, Ícaro Vigas, aluno do 3º semestre de Jornalismo na Faculdade Social, diz: “O tema é um pouco obsoleto, porque a tecnologia chega para ajudar não só o jornalismo, mas qualquer área. A tecnologia chega para ajudar o ser humano, independente de ele ser jornalista ou não, ela vai agilizar os processos em qualquer área”. Entretanto, deixa clara a importância da convergência em si: “Agora (sic) eu acho essa uma tendência ótima, porque utilizando todas essas ferramentas tecnológicas para o bem da questão social que é a opinião pública, e tendo o jornalista como o divulgador de idéias, isso vai melhorar muito”.

 

(Texto entregue professora Mônica Celestino, pela disciplina Redação I)

 

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Roberto José de Souza. Profissão: Cupido!

O Professor Roberto, como é conhecido entre amigos, me recebeu em sua casa na quinta-feira, 1º de maio. Sua família assistia a um jogo entre dois times europeus, e enquanto isso ele se empolgava ao responder as minhas perguntas e mostrar seus troféus, seus vários recortes de jornais, além de álbuns de fotografias, todas do famoso “Baile Azul e Branco”, organizado por ele mesmo no Restaurante Lugar Comum, geralmente no final do ano, onde organiza também serestas toda terça-feira, há dez anos. Nosso bate-papo, bastante agradável, rendeu histórias do tempo do meu avô, além de relatos de superação, e mesmo de paixão em favor da dança de salão.

 

1.Qual o seu nome completo e idade?

Professor Roberto: Roberto José de Souza, 65 anos.

2. O senhor é casado, tem filhos?

P.R.: Sim, sou casado e tenho três filhos. Duas meninas e um menino.

3. Sua esposa e seus filhos também dançam?

P.R.: Minha esposa nunca foi muito chegada a dança. Minha filha Roberta dança muito, já nasceu dançando! (risos). Já os outros dois também não gostam muito de dançar não…

4. O senhor tem formação na área de dança?

P.R.: Não. É uma forma de diversão, aprendi a dançar na rua, nos antigos Cabarés da Bahia: Monte Carlo, Sandoval, Dance.

5. O senhor sempre gostou de dançar, desde jovem, ou é algo recente? Como surgiu o interesse pela dança?

P.R.: Muito, desde jovem! Minha profissão era de guia turístico. Na época da Guerra do Golfo Pérsico eu reunia as pessoas para fazer turismo, e eu usava a dança para atrair as pessoas, para distraí-las naquela época e naquela situação. Eu era professor de inglês, e isso facilitava as coisas.

6. Por que seresta? É um baile voltado para a 3ª idade ou há freqüência constante de jovens também? É difícil organizar os bailes toda semana?

P.R.: Pela preservação da música romântica. Além de atrair as pessoas, é também o tipo de música de que eu gosto. A maioria do público é da 3ª idade, e seresta é o tipo de música de que eles nós mais gostamos. Há um valor simbólico cobrado pela entrada, para pagar os músicos. Eu não faço por dinheiro, o dinheiro é conseqüência. Na verdade, eu sempre acabo gastando mais que lucrando, má só a satisfação de ver a casa ceia já vale por tudo!

7. Como é a frqüência? Há casais que vão constantemente? A maioria vai acompanhada ou desacompanhada?

P.R.: A maioria das pessoas que vão aos bailes é de freqüência constante. Eles vão sempre. O público é quase sempre o mesmo. As pessoas que vão lá dançam 365 dias por ano! E eles adoram quando o ano é bissexto! Porque eles têm um dia a mais para dançar! (risos) A maioria é de casais, mas vão desacompanhados também.

8. Há uma freqüência de casais que fazem aula de dança?

P.R.: A maioria faz aulas de dança. Aulas particulares. Caa um tem seu estilo, sua característica própria. Mas com aulas ou não, as pessoas que vão lá sabem dançar mesmo!

9. Costumam haver festivais de dança, competições?

P.R.: Não. Eu organizo eventos, não gosto de organizar competições, porque geram brigas. E lá é um ambiente muito familiar. Tem muitos médicos, engenheiros, advogados. tem algo “religioso” lá, como por exemplo, não é permitida a entrada de chinelos, ou de bermuda. As pessoas que freqüentam as serestas têm netos, bisnetos, são pessoas com uma história de vida bastante longa, e se respeitam muito. Não vale a pena correr o risco de gerar brigas.

10. Quem freqüenta mais? Homens ou mulheres?

P.R.: O público maior é feminino, com certeza. Como tem muita mulher, às vezes elas juntam umas tr~es ou quatro e pagam um professor de dança para acompanhá-las. Aí é espetáculo a noite inteira! (risos)

11. Já aconteceu alguma situação engraçada?

P.R.: Não. Pelo próprio tipo de música, é uma coisa mais séria, nunca aconteceu nada de inusitado não.

12. Para o senhor, a dança é uma forma de terapia?

P.R.: perfeitamente! Justamente a filosofia do baile é a terapia, é a socialização das pessoas. Todo ano, geralmente no final do ano, eu realizo o Baile Azul e Branco. É o carro-chefe do Lugar Comum. por conta do Baile Azul e Branco, o restaurante é conhecido no mundo todo. como eu sou guia turístico, sempre que venho com grupos estrangeiros, eu os levo lá e eles saem muito satisfeitos e felizes do lugar! E divulgam também! A força da terapia é bastante forte. Aconteceu uma situação impressionante uma vez. Certa noite uma senhora, de uns 80 anos, teve um acidente vascular cerebral (AVC) muito forte, no meio do salão. Foi grave de verdade. os médicos que a atenderam disseram que se ela não estivesse dançando no momento, provavelmente não teria sobrevivido. O próprio médico disse que foi tudo graças à dança, por causa da adrenalina que ela sentia na hora, a grande circulação sangüínea e a agitação no momento da dança salvaram a sua vida.

13. Há algum personagem? Alguém que esteja sempre presente, que todo mundo conheça?

P.R.: Tem vários casais que são muito conhecidos pela elegância. Sr. Beleza é bem conhecido! As pessoas chegavam para ele e falavam: “E aí, beleza, Sr. Beleza?”. Tem uma senhora que vai sempre, não para dançar, mas para escutar a música, porque dá prazer a ela. tem muitos casos.

14. Tem alguma coisa que o senhor gostaria de dizer para as pessoas que acham que não podem mais dançar por conta da idade?

P.R.: É um erro muito grande, a dança é uma terapia muito intensa. Mas tem que gostar. Se não gostar, você vai um dia, só para ver como é, e não volta. Quem gosta de verdade dança todo dia, e adora o ano bissexto! (risos)

 

P.S. Entrevista na íntegra, entregue à professora Jussara Maia, pela disciplina Técnicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística.

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“Dez impasses para uma efetiva crítica da mídia” / “Jornalismo ´Público, ‘publijornalismo’ e cidadania”

A partir da leitura dos textos “Dez impasses para uma efetiva crítica da mídia” e “Jornalismo Público, ‘publijornalismo’ e cidadania”, da autoria de Rogério Christofoletti e Alexandre Freire, respectivamente, propô-se fazer uma síntese entre os mesmos, apresentando uma crítica acerca do tema apresentado nas duas produções. Para tanto, procurou-se observar os aspectos predominantes em ambos e fazer uma análise, separando hierarquicamente os pontos mais relevantes e que estavam presentes nos dois textos.

Segundo os textos analisados, o modelo atual de jornalismo foge aos princípios éticos profissionais. Ao invés de ser um jornalismo público, voltado aos interesses da sociedade, tornou-se um “publijornalismo”, que prima pela venda de um produto, pela promoção da notícia como mercadoria. O texto coloca em questão o conceito de jornalismo: ao invés de “o que é jornalismo?”, deve-se perguntar “o que deve ser jornalismo?”. A concentração do mercado midiático nas mãos de poucas famílias ajuda a aumentar o conceito de jornalismo como um negócio, uma vez que essas famílias são detentoras dos grandes canais de TV, rádio e dos grandes jornais e revistas, o que acaba influenciando os pequenos meios. Assim, as notpicias veiculadas pelos grandes meios são padronizadas e o entretenimento é estandartizado.

Os autores procuram mostrar uma queda na qualidade das exibições jornalísticas, visto que o jornalismo, ao longo dos anos, vem deixando de ser um meio para a informação da sociedade, e vem se tornando um grupo fechado de entidades privadas que fornecem a informação mais adequada para a sua lucratividade.

Enquanto Alexandre Freire chama atenção para a necessidade de se fazer um jornalismo público, diferente do que vem sendo feito, Rogério Christofoletti complemente seu colega ao mencionar os esforços, ainda que tímidos, em criticar a atual programação dos meios de comunicação de massa no Brasil. Os autores se complementam ainda ao citarem as leis de mercado como manipuladoras da programação. Ao passo que Freire fala da corrupção da cidadania e da necessidade de também promovê-la, Christofoletti faz um levantamento do grande número de concessões que se encontram nas mãos de políticos ou se seus partidos.

Os textos mostram-se bastante pertinentes ao cenário atual da programação dos meios de comunicação de massa. É interessante quando Freire faz alusão a duas matérias publicadas no mesmo dia e no mesmo caderno da Folha de S. Paulo mostrando o alcance do jornalismo: ao mesmo tempo em que pode criar uma situação de pavor para a sociedade, pode também pôr fim a uma guerra – ou iniciá-la. Então, nota-se a necessidade de se fazer um jornalismo sério, não voltado para os interesses econômicos da empresa, mas que esteja ciente das suas responsabilidades para com o bem-estar da sociedade. Há uma crítica à falta de ética e cidadania das empresas, o contrário do que deve ser o jornalismo público, enfocado por Alexandre Freire e reforçado por Rogério Christofoletti em seus respectivos textos.

(Trabalho entregue à professora Daniela Souza, pela disciplina Crítica da Mídia)

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Mídia e Cultura Africana

Jornais, revistas, Tv. A cultura africana se torna cada vez mais popular e cobiçada pelas lentes das câmeras e pelas pautas dos repórteres. A miscigenação virou notícia. E não por acaso. Boa parte do que se tem registrado nos costumes e na cultura do povo brasileiro foi trazido ao Brasil pelos negros africanos, aind ana época da colonização.

Festas, culinária, dança, religião fazem parte de uma cultura que passou a ser chamada de afro-brasileira e desperta sensações: a curiosidade de uns, a repulsa de outros e, ainda, a paixão de seus seguidores. Quando fala-se em cultura afro não é difpicil lembrar os negros africanos nas senzalas e suas manifestações culturais. Muita coisa sobre esse povo não é novidade, mas raízes, principalmente no tocante à religião, ainda permanecem afastadas do convívio da maioria das pessoas. Como a prática da religião – Candomblé, Umbanda etc. – foi proibida pela igreja Catótilica e mal vista por séculos pelo restante da população, muito dessa resistência permance até hoje. Um assunto tão cheio de “idas e vindas” só poderia mesmo virar notícia. Mas como funciona essa relação entre cultura e mídia?

A própria resistência gera certa curiosidade a respeito do próprio candomblé e de seus ritos. Por isso há ´certa preocupação da mídia em estar sempre falando algo a respeito. Infelizmente, a falta de conhecimento e de domínio técnico fazem com que os jornalistas cometam “gafes”, com publicações falsas, mistura de culturas diferentes, atribuição de uma carga pejorativa a termos sobre os quais não tem conhecimento, invasão da cultura.

Nota-se que há uma busca por informações e também, uma preocupação da mídia em satisfazer o seu leitor / telespectador. Entretanto, isto acaba gerando certo atrito entre os seguidores da religião e a mídia. Dessa forma, nem sempre o leitor / telespectador tem visões verdadeiras da cultura africana porque não se faz uma abordagem inteligente, sem que haja invasão dos terrenos que não estão preparados para “abrir suas portas”.

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