Suprimindo-se o “quase”, segurança da secretária fecharia visita à Bahia com chave de ouro.
A secretária de Estado americana Condoleezza Rice quase teve uma passagem digna de simples turista por Salvador, na última terça-feira, 18. Não fosse pela grande quantidade de seguranças e policiais, o garoto Pablo Patrick Félix Ferreira e o desempregado Carlos José Ramos Dias talvez nem tivessem se dado conta de que gente importante passeava por Salvador; menos ainda se quem se tratava. Nem mesmo um protesto organizado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) foi capaz de quebrar o gelo da visita, já que chegou atrasado, minutos depois de Condoleezza deixar o Museu Afro-brasileiro.
Apesar de volta e meia ela estar na mira da mídia internacional, a maioria não sabia de quem se tratava. nada, além do trânsito, parou para assistir à passagem de Condoleezza no trajeto que fez dentro de uma luxuosa Blazer azul marinho, blindada e climatizada, do Hotel Pestana, no Rio Vermelho, ao Centro Histórico. Isso porque batedores do Esquadrão Águia fecharam algumas das principais avenidas, provocando engarrafamentos.
Ponto para as informalidades, para o inesperado, para aquilo que, diga-se de passagem, pode ser chamado de curioso. Enquanto as manifestações oficiais não obtiveram sucesso, manifestações curiosas de populares roubaram a cena. O garoto Pablo Patrick Félix Ferreira, de 13 anos, inovou ao tentar mostrar suas habilidades com a língua dos gringos, apesar de trocar o inglês pelo italiano: “Um real para manjare!”, gritou, em meio ao aparato de segurança, quando a secretária deixava a igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. acabou sem nada para “manjare” e afastado pelos seguranças.
Mais adiante, à saída do Museu da Coelba, uma manifestação ainda mais curiosa chamou atenção. Um gesto de carinho se fez ouvir da boca do desempregado Carlos José Ramos Dias, que ajoelhou-se aos pés da secretária e ainda beijou-lhe as mãos: “Eu disse a ela que amo os EUA e que ela é muito bonita”.
Houve até quem trocasse de secretária, achando que Condoleezza fosse a própria Mônica Lewinsky; quem assistisse de longe sua passagem, na esperança de que a desconhecida pudesse ser sua freguesa e, ainda, quem fosse confundido até com terrorista, ao vestir sua habitual fantasia de “Alien-Predador” e dizer que “os americanos é que carregam a morte”. Estas forma protagonizadas, respectivamente, pelo comerciante Maurício Silva e pelos personagens folclóricos do Pelourinho, Preto Velho e Jaime Figura.
Melhor impossível. Sem grandes incômodos nem imprevistos, sem nenhuma manifestação antiimperialista à vista, Condoleezza Rice teve o prazer de conhecer Salvador e ajudar a encher as ruas do Pelourinho com seus seguranças e policiais locais. Nada muito utilizado na ocasião.
(Releitura da matéria “Garoto e desempregado driblam segurança de Condoleezza”, de Alexandre Lyrio, publicada no Jornal A Tarde de 18 de março de 2008, e apresentado à professora Mônica Celestino, pela disciplina Redação I)