Arquivo para Maio, 2008

Ela faz jus à fama e mostra que a dança pode realmente transformar a vida das pessoas.

A fama de excelente bailarina e professora de dança não caiu por terra quando eu a conheci. Ela realmente faz jus à fama que possui entre alunos, amigos e profissionais da dança. Sorridente, atenciosa e extrovertida. Esta é Carmem Oliveira, mais conhecida como Mima, que me recebeu em uma de suas aulas de dança de salão e mostrou que dançar, realmente, faz bem à saúde e a alma!

Clarissa: Qual o seu nome, idade e profissão?

Professora Mima: Carmem Oliveira, 51 anos. Sou professora de dança.

 

Clarissa: Há quanto tempo a senhora dança?

Professora Mima: Danço desde os seis anos. Há 45 anos.

 

Clarissa: A senhora tem formação na área de dança?

Professora Mima: Minha formação em dança é técnica. Sou bailarina clássica formada pela EBATECA, e especializada em salão. Eu e Jorge, meu esposo e também professor de dança, somos formados pela EBATECA (Escola de Ballet do Teatro Castro Alves) com curso de jazz, música (Escola de Música da Bahia) e especializados em dança de salão pelos professores Carlinhos de Jesus e Jaime Arôxa para cursos regulares. Temos especialização em tango pelo professor Alfredo Garcia (argentino) e especialização em swing-americano, pelo professor Eduardo Hogan.

 

Clarissa: Qual a freqüência dos idosos na academia? As turmas são grandes?

Professora Mima: São turmas mistas com idosos. 50% são idosos. Temos aproximadamente nove turmas. Em média  20 a 30 casais. Uma turma em que jovens se relacionam com idosos é perfeito! É uma troca. Mesmo assim lidamos com casos de preconceito.

 

Clarissa: A maioria dos alunos se inscreve nas aulas com um parceiro de dança ou conhecem o parceiro durante as aulas?

Professora Mima: Maioria mulheres e apoio dos assistentes. Os assistentes são pares nas aulas, além de par constante em bailes.

 

Clarissa: Vocês costumam freqüentar bailes junto com os alunos? Há esse costume entre eles?

Professora Mima: Sim. Os assistentes são contratados para acompanhar na noite para que não tomem o famoso “chá de cadeira”. Eles têm agenda constante. Fazem curso de bolsista conosco num curso de multiplicadores e são treinados para atender as senhoras. A alto-estima delas eleva!

 

Clarissa: O professor Roberto, do Baile Azul e Branco comentou que às vezes não tem parceiro para todas e um só rapaz acompanha três ou quatro senhoras no baile.

Professora Mima: Ele é de acordo ou não?

Clarissa: Sim, com certeza!

Professora Mima: Tem um professor aqui em Salvador que é contra. São acompanhantes, não “homens”. É trabalho.

Clarissa: Claro, o objetivo é dançar, não?

Professora Mima: Sim.

Clarissa: Você diz que às vezes há preconceito…

Professora Mima: O preconceito de algumas mulheres em não contratar para não caracterizar “cafetinagem”. Às vezes quando telefonam para informações sobre a dança perguntam qual é faixa. Tanto jovem quanto mais velho. Alguns querem saber antes de se inscrever.

Clarissa: Isso é um pouco estranho. Se assim posso dizer, contrário à filosofia da dança, não?

Professora Mima: Sim, nós é que quebramos isto sempre. Cabe a nós sempre lembrarmos o que é a dança e seus objetivos. E isto muda. Há dez anos atrás era terrível.

Clarissa: Você quer dizer que há dez anos atrás não existiam turmas mistas?

Professora Mima: Há dez anos atrás existia um problema sério com as mulheres e/ou homens que iam dançar nas escolas. Elas eram vistas como dançarinas expostas aos homens, quando iam buscar somente distração. Daí tivemos apoio e reconhecimento do nosso trabalho de pesquisa e benefícios da dança com a saúde. Mudamos isto.

Clarissa: Isto com certeza deve ser gratificante!

Professora Mima: Casais brigavam porque marido ia sem a mulher para arranjar mulheres na dança (sic). A dança era responsabilizada pelas separações. Presenciei escândalos, inclusive na sala de aula. Daí as pessoas faziam escondido. Fizeram um filme, “CHEGA DE SAUDADE”, nacional, que reporta tudo isto. Realidade pura, impressionante. Todos os personagens são reais. Inclusive fomos nós a marca que fizemos a pré-estréia no Iguatemi. Fomos convidados para abrirmos o salão com a trilha sonora.

 

Clarissa: A  senhora sente que os idosos que fazem dança de salão hoje são essas pessoas que dançavam escondido há algum tempo, ou a maioria descobriu esse prazer pela dança recentemente?

Professora Mima: Tenho um caso de uma aluna que para fazer aula pela manhã dizia ao marido que ia à feira comprar banana… (risos)

Clarissa: (risos) Isso há dez anos ou hoje em dia?

Professora Mima: Há dez anos. Ele ficou doente na cama em casa inválido e ela se distraía com as aulas. Se jogava (sic) no chão para não deixar ela sair. (risos)

Clarissa: E essa doença surgiu depois que ele descobriu que ela dançava?

Professora Mima: Na verdade ele nunca tomou conhecimento da dança. Fizemos um espetáculo no ano 06 chamado “MULHERES” e criamos um quadro em que Dona Ninha saía para as aulas escondido do marido (risos). Ela vive este sonho que é dançar. É um exemplo de vida. Foi escravizada pelo marido, criou filhos e quando ele morreu e ela teve independência total se operou de urgência e ficou um tempo com o intestino para fora do corpo, impedida de dançar. Assim que ficou boa voltou imediatamente e participa de todos os eventos, inclusive espetáculos.

Clarissa: Realmente uma história de amor com a dança.

Professora Mima: Você me disse por e-mail que entrevistou Dona Raimunda Eleno. Conheço sua entrevistada! Uma figura! (risos) Outra historia de amor com a dança. Concorreu nesse fim de semana ao Ballace, encontro nacional de dança e ganhou!

Clarissa: Ah sim, o Ballace, claro!

Professora Mima: Você foi?

Clarissa: Não, infelizmente. Eu estava viajando. Ela me disse tudo isto na entrevista.

 

Clarissa: O que a senhora acredita ser o papel terapêutico da dança na vida dessas pessoas?

Professora Mima: Além do papel terapêutico, a dança ajuda a manter a saúde. As aulas em grupo promovem a socialização, o combate à depressão, além de haver aquela troca entre os jovens e os mais velhos. As pessoas ficam felizes quando dançam!

Clarissa: Tem algum ritmo específico da dança de salão mais indicado para pessoas da terceira idade?

Professora Mima: Eu não diria o mais indicado, mas com certeza o que eles mais gostam é o bolero. Por ser fácil de dançar, eles respondem bem a todos os movimentos. Além de relembrar a questão do romance. Está bem ligado à época deles, à época em que eles viveram, então eles se sentem bem dançando bolero. Até hoje eu ainda não tive nenhuma aluna que não tivesse respondido bem a todos os movimentos, de todas as danças. E eu digo alunas porque os giros, aquilo que exige mais do corpo vem da dama, e o cavalheiro a conduz. Mas o bolero é o favorito entre todos os tipos de dança. Eles adoram mesmo!

 (Entrevista feita com o intuito de produzir uma matéria sobre Dança para Terceira Idade, pela Disciplina Redação I)

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Convergência Midiática e Jornalismo

 

Realizado mensalmente há dois anos pelo curso de Jornalismo da Faculdade Social da Bahia, o Café com Prosa do mês de abril contou com a presença de Leila Nogueira, Marcelo Freire e Fernando Firmino, que levaram um papo com os alunos sobre Convergência Midiática e Jornalismo.

Uma dos três componentes da mesa que discutiu Convergência Midiática e Jornalismo na última quinta-feira, 24, Leila Nogueira mal aguardou que os gravadores fossem postos à mesa e, após rápidas palavras, disparou: “Quando a gente fala de convergência, a primeira coisa que vem à mente é divergência”. O evento promovido pelo curso de Jornalismo da Faculdade Social que contou também com a presença dos professores Marcelo Freire e Fernando Firmino se dedicou a discutir Convergência Midiática e Jornalismo, assunto que, segundo a própria Leila Nogueira, ainda não conta com uma definição concreta.

 

Baseada nos estudos do professor Ramón Salaverría, da Universidade de Navarra, Leila cita os diversos âmbitos da convergência e reproduz ainda o pensamento do colega ao dizer que “o jornalista não seria o jornalista do meio, mas sim o jornalista da marca”. A professora fala sobre a necessidade da mudança de comportamento diante dessa convergência, pois é necessário trabalhar bem a favor da boa informação.

 

Tendo como área de maior interesse a transmissão de TVWeb, Leila explica vantagens de descentralização da produção e de redução de custos, e destaca o uso do celular como um dos tipos de tecnologia com maior utilidade em termos de audiovisual para o modelo convergente, mas atenta para a necessidade de uma apuração jornalística para a exibição do vídeo, não sendo qualquer vídeo apto para ser veiculado.

 

Rapidamente falando sobre a questão dos direitos autorais do material usado nas transmissões (foto, vídeo, texto), já que a convergência abrange a utilização de linkagem, Leila passa a palavra ao professor Marcelo Freire, que discute a narrativa multimidiática.

 

Marcelo Freire menciona que é possível haver o “contar de histórias” na web, mas procura falar com maior aprofundamento daquilo que pode ser trazido do convencional para a web. “O texto para rádio conta com um cenário ambiental, o cenário sonoro que é criado pelo repórter de rádio, e tem uma estrutura bem peculiar”, diz Freire. Em seguida, comenta que o texto para TV tem elementos bastante claros: a cabeça, o off, a sonora e a passagem. Uma estratégia para manter o telespectador até o final do jornal. Já na internet, “há a possibilidade de usar os três tipos de mídia, mas pode-se optar por qual tipo de mídia vai ser utilizado, e isso faz a grande diferença”, comenta.

 

Marcelo fala de uma nova forma de contar histórias, á que nem todo texto publicado na internet é feito para internet.

 

A principal obrigação agora, segundo Marcelo, “é dar sentido ao que o internauta lê, manter a coerência”.

 

Segundo Marcelo Freire, na internet, a marca não é tão importante, uma vez que a maioria dos internautas procura no Google as notícias de seu interesse.

 

Último do convidados a falar, o professor Fernando Firmino estuda a convergência do ponto de vista profissional e tecnológico. Firmino fala do projeto pernambucano “Notícia Celular”, que utiliza a espontaneidade do flagra feito por aparelhos celulares para produzir vídeos para a televisão em transmissões ao vivo. Segundo Fernando, a convergência traz, dentro do contexto profissional, um acúmulo de funções, uma vez que o repórter poderá produzir o texto, a foto, o vídeo, sem a necessidade de um fotógrafo ou um cinegrafista.

 

Para Fernando Firmino, “a convergência traz mobilidade não só para o profissional do jornalismo, mas também para os usuários, porque eles começam a acessar essa informação em mobilidade. Na minha opinião, ele vai começar a exigir uma notícia em tempo real, uma atualização mais freqüente”.

 

Firmino segue falando sobre projetos na Reuters, na BBC e na Band, e encerra seu trabalho dando lugar à professora Débora Lopes, que abre o tempo para questionamentos.

 

Questionando sobre a importância de se discutir o tema, Ícaro Vigas, aluno do 3º semestre de Jornalismo na Faculdade Social, diz: “O tema é um pouco obsoleto, porque a tecnologia chega para ajudar não só o jornalismo, mas qualquer área. A tecnologia chega para ajudar o ser humano, independente de ele ser jornalista ou não, ela vai agilizar os processos em qualquer área”. Entretanto, deixa clara a importância da convergência em si: “Agora (sic) eu acho essa uma tendência ótima, porque utilizando todas essas ferramentas tecnológicas para o bem da questão social que é a opinião pública, e tendo o jornalista como o divulgador de idéias, isso vai melhorar muito”.

 

(Texto entregue professora Mônica Celestino, pela disciplina Redação I)

 

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Roberto José de Souza. Profissão: Cupido!

O Professor Roberto, como é conhecido entre amigos, me recebeu em sua casa na quinta-feira, 1º de maio. Sua família assistia a um jogo entre dois times europeus, e enquanto isso ele se empolgava ao responder as minhas perguntas e mostrar seus troféus, seus vários recortes de jornais, além de álbuns de fotografias, todas do famoso “Baile Azul e Branco”, organizado por ele mesmo no Restaurante Lugar Comum, geralmente no final do ano, onde organiza também serestas toda terça-feira, há dez anos. Nosso bate-papo, bastante agradável, rendeu histórias do tempo do meu avô, além de relatos de superação, e mesmo de paixão em favor da dança de salão.

 

1.Qual o seu nome completo e idade?

Professor Roberto: Roberto José de Souza, 65 anos.

2. O senhor é casado, tem filhos?

P.R.: Sim, sou casado e tenho três filhos. Duas meninas e um menino.

3. Sua esposa e seus filhos também dançam?

P.R.: Minha esposa nunca foi muito chegada a dança. Minha filha Roberta dança muito, já nasceu dançando! (risos). Já os outros dois também não gostam muito de dançar não…

4. O senhor tem formação na área de dança?

P.R.: Não. É uma forma de diversão, aprendi a dançar na rua, nos antigos Cabarés da Bahia: Monte Carlo, Sandoval, Dance.

5. O senhor sempre gostou de dançar, desde jovem, ou é algo recente? Como surgiu o interesse pela dança?

P.R.: Muito, desde jovem! Minha profissão era de guia turístico. Na época da Guerra do Golfo Pérsico eu reunia as pessoas para fazer turismo, e eu usava a dança para atrair as pessoas, para distraí-las naquela época e naquela situação. Eu era professor de inglês, e isso facilitava as coisas.

6. Por que seresta? É um baile voltado para a 3ª idade ou há freqüência constante de jovens também? É difícil organizar os bailes toda semana?

P.R.: Pela preservação da música romântica. Além de atrair as pessoas, é também o tipo de música de que eu gosto. A maioria do público é da 3ª idade, e seresta é o tipo de música de que eles nós mais gostamos. Há um valor simbólico cobrado pela entrada, para pagar os músicos. Eu não faço por dinheiro, o dinheiro é conseqüência. Na verdade, eu sempre acabo gastando mais que lucrando, má só a satisfação de ver a casa ceia já vale por tudo!

7. Como é a frqüência? Há casais que vão constantemente? A maioria vai acompanhada ou desacompanhada?

P.R.: A maioria das pessoas que vão aos bailes é de freqüência constante. Eles vão sempre. O público é quase sempre o mesmo. As pessoas que vão lá dançam 365 dias por ano! E eles adoram quando o ano é bissexto! Porque eles têm um dia a mais para dançar! (risos) A maioria é de casais, mas vão desacompanhados também.

8. Há uma freqüência de casais que fazem aula de dança?

P.R.: A maioria faz aulas de dança. Aulas particulares. Caa um tem seu estilo, sua característica própria. Mas com aulas ou não, as pessoas que vão lá sabem dançar mesmo!

9. Costumam haver festivais de dança, competições?

P.R.: Não. Eu organizo eventos, não gosto de organizar competições, porque geram brigas. E lá é um ambiente muito familiar. Tem muitos médicos, engenheiros, advogados. tem algo “religioso” lá, como por exemplo, não é permitida a entrada de chinelos, ou de bermuda. As pessoas que freqüentam as serestas têm netos, bisnetos, são pessoas com uma história de vida bastante longa, e se respeitam muito. Não vale a pena correr o risco de gerar brigas.

10. Quem freqüenta mais? Homens ou mulheres?

P.R.: O público maior é feminino, com certeza. Como tem muita mulher, às vezes elas juntam umas tr~es ou quatro e pagam um professor de dança para acompanhá-las. Aí é espetáculo a noite inteira! (risos)

11. Já aconteceu alguma situação engraçada?

P.R.: Não. Pelo próprio tipo de música, é uma coisa mais séria, nunca aconteceu nada de inusitado não.

12. Para o senhor, a dança é uma forma de terapia?

P.R.: perfeitamente! Justamente a filosofia do baile é a terapia, é a socialização das pessoas. Todo ano, geralmente no final do ano, eu realizo o Baile Azul e Branco. É o carro-chefe do Lugar Comum. por conta do Baile Azul e Branco, o restaurante é conhecido no mundo todo. como eu sou guia turístico, sempre que venho com grupos estrangeiros, eu os levo lá e eles saem muito satisfeitos e felizes do lugar! E divulgam também! A força da terapia é bastante forte. Aconteceu uma situação impressionante uma vez. Certa noite uma senhora, de uns 80 anos, teve um acidente vascular cerebral (AVC) muito forte, no meio do salão. Foi grave de verdade. os médicos que a atenderam disseram que se ela não estivesse dançando no momento, provavelmente não teria sobrevivido. O próprio médico disse que foi tudo graças à dança, por causa da adrenalina que ela sentia na hora, a grande circulação sangüínea e a agitação no momento da dança salvaram a sua vida.

13. Há algum personagem? Alguém que esteja sempre presente, que todo mundo conheça?

P.R.: Tem vários casais que são muito conhecidos pela elegância. Sr. Beleza é bem conhecido! As pessoas chegavam para ele e falavam: “E aí, beleza, Sr. Beleza?”. Tem uma senhora que vai sempre, não para dançar, mas para escutar a música, porque dá prazer a ela. tem muitos casos.

14. Tem alguma coisa que o senhor gostaria de dizer para as pessoas que acham que não podem mais dançar por conta da idade?

P.R.: É um erro muito grande, a dança é uma terapia muito intensa. Mas tem que gostar. Se não gostar, você vai um dia, só para ver como é, e não volta. Quem gosta de verdade dança todo dia, e adora o ano bissexto! (risos)

 

P.S. Entrevista na íntegra, entregue à professora Jussara Maia, pela disciplina Técnicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística.

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“Dez impasses para uma efetiva crítica da mídia” / “Jornalismo ´Público, ‘publijornalismo’ e cidadania”

A partir da leitura dos textos “Dez impasses para uma efetiva crítica da mídia” e “Jornalismo Público, ‘publijornalismo’ e cidadania”, da autoria de Rogério Christofoletti e Alexandre Freire, respectivamente, propô-se fazer uma síntese entre os mesmos, apresentando uma crítica acerca do tema apresentado nas duas produções. Para tanto, procurou-se observar os aspectos predominantes em ambos e fazer uma análise, separando hierarquicamente os pontos mais relevantes e que estavam presentes nos dois textos.

Segundo os textos analisados, o modelo atual de jornalismo foge aos princípios éticos profissionais. Ao invés de ser um jornalismo público, voltado aos interesses da sociedade, tornou-se um “publijornalismo”, que prima pela venda de um produto, pela promoção da notícia como mercadoria. O texto coloca em questão o conceito de jornalismo: ao invés de “o que é jornalismo?”, deve-se perguntar “o que deve ser jornalismo?”. A concentração do mercado midiático nas mãos de poucas famílias ajuda a aumentar o conceito de jornalismo como um negócio, uma vez que essas famílias são detentoras dos grandes canais de TV, rádio e dos grandes jornais e revistas, o que acaba influenciando os pequenos meios. Assim, as notpicias veiculadas pelos grandes meios são padronizadas e o entretenimento é estandartizado.

Os autores procuram mostrar uma queda na qualidade das exibições jornalísticas, visto que o jornalismo, ao longo dos anos, vem deixando de ser um meio para a informação da sociedade, e vem se tornando um grupo fechado de entidades privadas que fornecem a informação mais adequada para a sua lucratividade.

Enquanto Alexandre Freire chama atenção para a necessidade de se fazer um jornalismo público, diferente do que vem sendo feito, Rogério Christofoletti complemente seu colega ao mencionar os esforços, ainda que tímidos, em criticar a atual programação dos meios de comunicação de massa no Brasil. Os autores se complementam ainda ao citarem as leis de mercado como manipuladoras da programação. Ao passo que Freire fala da corrupção da cidadania e da necessidade de também promovê-la, Christofoletti faz um levantamento do grande número de concessões que se encontram nas mãos de políticos ou se seus partidos.

Os textos mostram-se bastante pertinentes ao cenário atual da programação dos meios de comunicação de massa. É interessante quando Freire faz alusão a duas matérias publicadas no mesmo dia e no mesmo caderno da Folha de S. Paulo mostrando o alcance do jornalismo: ao mesmo tempo em que pode criar uma situação de pavor para a sociedade, pode também pôr fim a uma guerra – ou iniciá-la. Então, nota-se a necessidade de se fazer um jornalismo sério, não voltado para os interesses econômicos da empresa, mas que esteja ciente das suas responsabilidades para com o bem-estar da sociedade. Há uma crítica à falta de ética e cidadania das empresas, o contrário do que deve ser o jornalismo público, enfocado por Alexandre Freire e reforçado por Rogério Christofoletti em seus respectivos textos.

(Trabalho entregue à professora Daniela Souza, pela disciplina Crítica da Mídia)

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Mídia e Cultura Africana

Jornais, revistas, Tv. A cultura africana se torna cada vez mais popular e cobiçada pelas lentes das câmeras e pelas pautas dos repórteres. A miscigenação virou notícia. E não por acaso. Boa parte do que se tem registrado nos costumes e na cultura do povo brasileiro foi trazido ao Brasil pelos negros africanos, aind ana época da colonização.

Festas, culinária, dança, religião fazem parte de uma cultura que passou a ser chamada de afro-brasileira e desperta sensações: a curiosidade de uns, a repulsa de outros e, ainda, a paixão de seus seguidores. Quando fala-se em cultura afro não é difpicil lembrar os negros africanos nas senzalas e suas manifestações culturais. Muita coisa sobre esse povo não é novidade, mas raízes, principalmente no tocante à religião, ainda permanecem afastadas do convívio da maioria das pessoas. Como a prática da religião – Candomblé, Umbanda etc. – foi proibida pela igreja Catótilica e mal vista por séculos pelo restante da população, muito dessa resistência permance até hoje. Um assunto tão cheio de “idas e vindas” só poderia mesmo virar notícia. Mas como funciona essa relação entre cultura e mídia?

A própria resistência gera certa curiosidade a respeito do próprio candomblé e de seus ritos. Por isso há ´certa preocupação da mídia em estar sempre falando algo a respeito. Infelizmente, a falta de conhecimento e de domínio técnico fazem com que os jornalistas cometam “gafes”, com publicações falsas, mistura de culturas diferentes, atribuição de uma carga pejorativa a termos sobre os quais não tem conhecimento, invasão da cultura.

Nota-se que há uma busca por informações e também, uma preocupação da mídia em satisfazer o seu leitor / telespectador. Entretanto, isto acaba gerando certo atrito entre os seguidores da religião e a mídia. Dessa forma, nem sempre o leitor / telespectador tem visões verdadeiras da cultura africana porque não se faz uma abordagem inteligente, sem que haja invasão dos terrenos que não estão preparados para “abrir suas portas”.

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