Arquivo para Maio 24, 2008

Roberto José de Souza. Profissão: Cupido!

O Professor Roberto, como é conhecido entre amigos, me recebeu em sua casa na quinta-feira, 1º de maio. Sua família assistia a um jogo entre dois times europeus, e enquanto isso ele se empolgava ao responder as minhas perguntas e mostrar seus troféus, seus vários recortes de jornais, além de álbuns de fotografias, todas do famoso “Baile Azul e Branco”, organizado por ele mesmo no Restaurante Lugar Comum, geralmente no final do ano, onde organiza também serestas toda terça-feira, há dez anos. Nosso bate-papo, bastante agradável, rendeu histórias do tempo do meu avô, além de relatos de superação, e mesmo de paixão em favor da dança de salão.

 

1.Qual o seu nome completo e idade?

Professor Roberto: Roberto José de Souza, 65 anos.

2. O senhor é casado, tem filhos?

P.R.: Sim, sou casado e tenho três filhos. Duas meninas e um menino.

3. Sua esposa e seus filhos também dançam?

P.R.: Minha esposa nunca foi muito chegada a dança. Minha filha Roberta dança muito, já nasceu dançando! (risos). Já os outros dois também não gostam muito de dançar não…

4. O senhor tem formação na área de dança?

P.R.: Não. É uma forma de diversão, aprendi a dançar na rua, nos antigos Cabarés da Bahia: Monte Carlo, Sandoval, Dance.

5. O senhor sempre gostou de dançar, desde jovem, ou é algo recente? Como surgiu o interesse pela dança?

P.R.: Muito, desde jovem! Minha profissão era de guia turístico. Na época da Guerra do Golfo Pérsico eu reunia as pessoas para fazer turismo, e eu usava a dança para atrair as pessoas, para distraí-las naquela época e naquela situação. Eu era professor de inglês, e isso facilitava as coisas.

6. Por que seresta? É um baile voltado para a 3ª idade ou há freqüência constante de jovens também? É difícil organizar os bailes toda semana?

P.R.: Pela preservação da música romântica. Além de atrair as pessoas, é também o tipo de música de que eu gosto. A maioria do público é da 3ª idade, e seresta é o tipo de música de que eles nós mais gostamos. Há um valor simbólico cobrado pela entrada, para pagar os músicos. Eu não faço por dinheiro, o dinheiro é conseqüência. Na verdade, eu sempre acabo gastando mais que lucrando, má só a satisfação de ver a casa ceia já vale por tudo!

7. Como é a frqüência? Há casais que vão constantemente? A maioria vai acompanhada ou desacompanhada?

P.R.: A maioria das pessoas que vão aos bailes é de freqüência constante. Eles vão sempre. O público é quase sempre o mesmo. As pessoas que vão lá dançam 365 dias por ano! E eles adoram quando o ano é bissexto! Porque eles têm um dia a mais para dançar! (risos) A maioria é de casais, mas vão desacompanhados também.

8. Há uma freqüência de casais que fazem aula de dança?

P.R.: A maioria faz aulas de dança. Aulas particulares. Caa um tem seu estilo, sua característica própria. Mas com aulas ou não, as pessoas que vão lá sabem dançar mesmo!

9. Costumam haver festivais de dança, competições?

P.R.: Não. Eu organizo eventos, não gosto de organizar competições, porque geram brigas. E lá é um ambiente muito familiar. Tem muitos médicos, engenheiros, advogados. tem algo “religioso” lá, como por exemplo, não é permitida a entrada de chinelos, ou de bermuda. As pessoas que freqüentam as serestas têm netos, bisnetos, são pessoas com uma história de vida bastante longa, e se respeitam muito. Não vale a pena correr o risco de gerar brigas.

10. Quem freqüenta mais? Homens ou mulheres?

P.R.: O público maior é feminino, com certeza. Como tem muita mulher, às vezes elas juntam umas tr~es ou quatro e pagam um professor de dança para acompanhá-las. Aí é espetáculo a noite inteira! (risos)

11. Já aconteceu alguma situação engraçada?

P.R.: Não. Pelo próprio tipo de música, é uma coisa mais séria, nunca aconteceu nada de inusitado não.

12. Para o senhor, a dança é uma forma de terapia?

P.R.: perfeitamente! Justamente a filosofia do baile é a terapia, é a socialização das pessoas. Todo ano, geralmente no final do ano, eu realizo o Baile Azul e Branco. É o carro-chefe do Lugar Comum. por conta do Baile Azul e Branco, o restaurante é conhecido no mundo todo. como eu sou guia turístico, sempre que venho com grupos estrangeiros, eu os levo lá e eles saem muito satisfeitos e felizes do lugar! E divulgam também! A força da terapia é bastante forte. Aconteceu uma situação impressionante uma vez. Certa noite uma senhora, de uns 80 anos, teve um acidente vascular cerebral (AVC) muito forte, no meio do salão. Foi grave de verdade. os médicos que a atenderam disseram que se ela não estivesse dançando no momento, provavelmente não teria sobrevivido. O próprio médico disse que foi tudo graças à dança, por causa da adrenalina que ela sentia na hora, a grande circulação sangüínea e a agitação no momento da dança salvaram a sua vida.

13. Há algum personagem? Alguém que esteja sempre presente, que todo mundo conheça?

P.R.: Tem vários casais que são muito conhecidos pela elegância. Sr. Beleza é bem conhecido! As pessoas chegavam para ele e falavam: “E aí, beleza, Sr. Beleza?”. Tem uma senhora que vai sempre, não para dançar, mas para escutar a música, porque dá prazer a ela. tem muitos casos.

14. Tem alguma coisa que o senhor gostaria de dizer para as pessoas que acham que não podem mais dançar por conta da idade?

P.R.: É um erro muito grande, a dança é uma terapia muito intensa. Mas tem que gostar. Se não gostar, você vai um dia, só para ver como é, e não volta. Quem gosta de verdade dança todo dia, e adora o ano bissexto! (risos)

 

P.S. Entrevista na íntegra, entregue à professora Jussara Maia, pela disciplina Técnicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística.

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