Realizado mensalmente há dois anos pelo curso de Jornalismo da Faculdade Social da Bahia, o Café com Prosa do mês de abril contou com a presença de Leila Nogueira, Marcelo Freire e Fernando Firmino, que levaram um papo com os alunos sobre Convergência Midiática e Jornalismo.
Uma dos três componentes da mesa que discutiu Convergência Midiática e Jornalismo na última quinta-feira, 24, Leila Nogueira mal aguardou que os gravadores fossem postos à mesa e, após rápidas palavras, disparou: “Quando a gente fala de convergência, a primeira coisa que vem à mente é divergência”. O evento promovido pelo curso de Jornalismo da Faculdade Social que contou também com a presença dos professores Marcelo Freire e Fernando Firmino se dedicou a discutir Convergência Midiática e Jornalismo, assunto que, segundo a própria Leila Nogueira, ainda não conta com uma definição concreta.
Baseada nos estudos do professor Ramón Salaverría, da Universidade de Navarra, Leila cita os diversos âmbitos da convergência e reproduz ainda o pensamento do colega ao dizer que “o jornalista não seria o jornalista do meio, mas sim o jornalista da marca”. A professora fala sobre a necessidade da mudança de comportamento diante dessa convergência, pois é necessário trabalhar bem a favor da boa informação.
Tendo como área de maior interesse a transmissão de TVWeb, Leila explica vantagens de descentralização da produção e de redução de custos, e destaca o uso do celular como um dos tipos de tecnologia com maior utilidade em termos de audiovisual para o modelo convergente, mas atenta para a necessidade de uma apuração jornalística para a exibição do vídeo, não sendo qualquer vídeo apto para ser veiculado.
Rapidamente falando sobre a questão dos direitos autorais do material usado nas transmissões (foto, vídeo, texto), já que a convergência abrange a utilização de linkagem, Leila passa a palavra ao professor Marcelo Freire, que discute a narrativa multimidiática.
Marcelo Freire menciona que é possível haver o “contar de histórias” na web, mas procura falar com maior aprofundamento daquilo que pode ser trazido do convencional para a web. “O texto para rádio conta com um cenário ambiental, o cenário sonoro que é criado pelo repórter de rádio, e tem uma estrutura bem peculiar”, diz Freire. Em seguida, comenta que o texto para TV tem elementos bastante claros: a cabeça, o off, a sonora e a passagem. Uma estratégia para manter o telespectador até o final do jornal. Já na internet, “há a possibilidade de usar os três tipos de mídia, mas pode-se optar por qual tipo de mídia vai ser utilizado, e isso faz a grande diferença”, comenta.
Marcelo fala de uma nova forma de contar histórias, á que nem todo texto publicado na internet é feito para internet.
A principal obrigação agora, segundo Marcelo, “é dar sentido ao que o internauta lê, manter a coerência”.
Segundo Marcelo Freire, na internet, a marca não é tão importante, uma vez que a maioria dos internautas procura no Google as notícias de seu interesse.
Último do convidados a falar, o professor Fernando Firmino estuda a convergência do ponto de vista profissional e tecnológico. Firmino fala do projeto pernambucano “Notícia Celular”, que utiliza a espontaneidade do flagra feito por aparelhos celulares para produzir vídeos para a televisão em transmissões ao vivo. Segundo Fernando, a convergência traz, dentro do contexto profissional, um acúmulo de funções, uma vez que o repórter poderá produzir o texto, a foto, o vídeo, sem a necessidade de um fotógrafo ou um cinegrafista.
Para Fernando Firmino, “a convergência traz mobilidade não só para o profissional do jornalismo, mas também para os usuários, porque eles começam a acessar essa informação em mobilidade. Na minha opinião, ele vai começar a exigir uma notícia em tempo real, uma atualização mais freqüente”.
Firmino segue falando sobre projetos na Reuters, na BBC e na Band, e encerra seu trabalho dando lugar à professora Débora Lopes, que abre o tempo para questionamentos.
Questionando sobre a importância de se discutir o tema, Ícaro Vigas, aluno do 3º semestre de Jornalismo na Faculdade Social, diz: “O tema é um pouco obsoleto, porque a tecnologia chega para ajudar não só o jornalismo, mas qualquer área. A tecnologia chega para ajudar o ser humano, independente de ele ser jornalista ou não, ela vai agilizar os processos em qualquer área”. Entretanto, deixa clara a importância da convergência em si: “Agora (sic) eu acho essa uma tendência ótima, porque utilizando todas essas ferramentas tecnológicas para o bem da questão social que é a opinião pública, e tendo o jornalista como o divulgador de idéias, isso vai melhorar muito”.
(Texto entregue professora Mônica Celestino, pela disciplina Redação I)