Dança conquista terceira idade

Frequetadoras do Clube da Maior Idade Renascer, Raimunda Eleno e Elízia Gonçalves mostram sua paixão pela dança de salão.

Clarissa: Qual o seu nome e idade?

Dona Raimunda: Raimunda Eleno, 69 anos.

Dona Elízia:Elízia Gonçalves Prazeres, 81 anos.

 

Clarissa: A senhora é aposentada? Qual era a sua profissão antes da aposentadoria?

Dona Raimunda: Sou aposentada. Era professora de Educação Física.

Dona Elízia: Eu sou pensionista. Nunca trabalhei não, minha filha. Naquela época mulher não trabalhava não. Eu era dona de casa. Fazia prendas. Naquela época quem tinha emprego e era casada tinha que largar o emprego.

 

Clarissa: Há quanto tempo a senhora freqüenta o Clube da Maior Idade Renascer?

Dona Raimunda: Há uns dez ou 11 anos. Tem 11 anos que eu freqüento o Renascer. Quase desde o tempo que ele surgiu.

Dona Elízia: Ah, tem uns três anos por aí, né? (sic) Três a quatro anos. Eu faço parte de três grupos. Eu tenho que me virar nos 30, viu?! (sic) (risos)

 

Clarissa: Como surgiu o seu interesse pela dança? A senhora sempre dançou ou esse prazer pela dança é algo recente?

Dona Raimunda: Bem, eu sempre tive interesse pela dança, porque em Educação Físicaa gente fazia ginástica rítmica. E jovem eu dançava muito rock. Dança mambo, salsa, rock. Escondido, mas dançava! (risos) Primeiro veio o mambo e o samba. Depois veio o rock. Quando eu casei tive que largar tudo isso. Me aposentei, voltei a dançar dança de salão (sic), voltei a fazer aquilo que eu sempre gostei. Entrei pro grupo Renascer e vim fazer dança de salão. Não faço só dança de salão, faço teatro, faço ginástica cerebral. Porque sempre gostei! Faço ginástica aeróbica.

Dona Elízia:Ah, eram as colegas que faziam dança e me chamaram pra dançar também. Meu telefone, meu celular, minha televisão, minha dança. Faça tudo, mas não me tire nada disso! (risos)

 

Clarissa: A senhora é casada, tem filhos? Eles dançam também?

Dona Raimunda: Sou separada e tenho três filhos e uma neta. Não. Uma é professora de inglês, a outra trabalha na polícia federal e o rapaz é lutador de vale-tudo.

Dona Elízia:Não, eu sou viúva há 30 anos. Eu tive dois casais. Não, que nada! (risos) Minha filha caçula que me leva pras danças, ela é advogada. Me leva, me larga lá na porta do Espanhol e volta só no final (sic). Ninguém gosta não, só eu. Também quando era jovem eu nunca tive chance. Meu marido não gostava de dança, meu pai, quando eu era criança nunca deixava eu dançar em lugar nenhum (sic). Não sabia lugar dança, não sabia nada da vida!

 

Clarissa: A pessoa que me indicou o seu nome para a matéria, Dona Dulce, presidente do Clube Renascer, me disse que a senhora tem uma história linda com a dança. A senhora poderia me contar essa história?

Dona Raimunda: Eu participo de tudo. Tudo quanto é negócio de dança eu te (sic). Eu danço tango, eu danço a gafieira, eu danço samba, eu danço bolero, eu danço o samba-rock, eu faço dança do ventre. Quer dizer, eu gosto da dança. É como eu disse, eu sempre quis fazer dança desde criança, mas naquele meu tempo era proibido. Quem fazia dança era o quê?… Entendeu? Quem fazia dança era… Não precisa dizer. Então eu dançava escondido. Agora que eu não posso dançar com as possibilidades que eu tinha quando era jovem, eu to dançando agora (sic). Não vai ser a mesma coisa que se eu tivesse com 20 anos, aí a coisa ia ser braba (sic) mesmo! (risos) Ela diz isso porque eu gosto muito de dançar, ela sabe. Eu sempre tenho um jeito de dança, de ta (sic) alegrando o povo aí, dançando. Quando ela diz que eu tenho uma história linda com a dança é porque eu fui proibida de dançar, e fui fazer agora o que não pude fazer quando era jovem. Mas eu adoro dançar! O povo me diz: “Não fique dançando muito assim que você pode morrer”. Morro dançando e morro feliz! (risos)

 

Clarissa: A senhora já ganhou várias medalhas pela dança, não é verdade? Sempre participou de competições? Freqüenta muitos bailes? A senhora conhece o Baile Azul e Branco do Restaurante Lugar Comum?

Dona Raimunda: Ganhei agora o segundo lugar na gafieira, no Ballace, esse final de semana. Domingo, dia 25. Ganhei também o Oscar da Dança em 2007. Dancei o tango na Associação Atlética em 2005. Dancei também no Hotel da Bahia, foi em 2006, agafieira (sic). Dancei o zouk no Aeroclube para os ciganos que estavam lá tocando, que eram os amigos da gente. Dancei com esse professor que é meu afilhado, Abraão. Participei de competições só agora, que tirei o segundo lugar. O Oscar eu ganhei porque eu dancei o tango. Não, não freqüento os bailes, só aqui no renascer e no Espaço Dez quando eles pedem pra dançar. Já dancei no Campo Grande. Eu não vou porque eu não tenho como voltar sozinha. E também eu não gosto de perder noite não. Nunca fui no Azul e Branco, não. Eu vou no Vermelho e Branco, que é daqui. E tem o bloco no carnaval daqui a Associação também, que eu já fui porta-bandeira duas vezes.

Dona Elízia:Não, não. Só apresentações mesmo, no Shopping Itaigara, no Shopping Lapa. Eu vou, eu vou. Vou pra todos os bailes, não perco um! Não quer saber nem do horário! E eu só gosto de sair no lixo! (risos) Entro de madrugada e só saio no lixo! Se for pra ficar até de manhã eu fico! (risos) Não chamo pra ir embora, não cochilo, nem nada! Ir pra festa cochilar? É ruim! Não pe perder noite, é ganhar noite! (risos) Pois eu já fui nos dois: Azul e Branco e Vermelho e Branco.

 

Clarissa: Tem alguma coisa que a senhora ainda gostaria de falar para as pessoas que não dançam por causa da idade?

Dona Raimunda: Ah, eu acho que isso é preconceito. Eu acho que todo mundo deve dançar, porque a dança faz bem à saúde, à alma. A dança faz a gente se sentir mais jovem! A melhor terapia que tem é a dança! Se eu pudesse voltar atrás eu dançaria mais! Quando eu to na dança eu esqueço tudo!

Dona Elízia: É a terapia, isso é uma bobagem! Todo mundo tem direito de dançar, tem direito de se divertir, com dor ou sem dor! Toma um remedinho e vai! (sic) A gente esquece da dor, esquece tudo.

 

Trabalho entregue às professoras Jussara Maia e Mônica Celestino, pelas disciplinas de “Técnicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística” e “Redação I”, respectivamente.

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