Argentina, 54 anos. 35 no Brasil e destes, 32 vividos na Bahia. O clima e a cultura a atraíram e desde então este é o lugar escolhido por Lili Sanches para inspirar a sua arte. Seu trabalho resulta do olhar artístico sobre a cultura popular baiana e sua influência sobre os diversos povos que freqüentam o estado. Por que será que o Brasil se mostra tão encantador para esta baiana de coração?
Clarissa Pacheco: Há quanto tempo você trabalha aqui no Pelourinho?
Lili Sanches: Desde 1993, há 15 anos.
Clarissa: Quando você veio para o Brasil?
Lili: Há 35 anos. Eu não vim direto para a Bahia. Morei três anos no Rio de Janeiro, me casei lá, tive um filho. Só depois que vim pra Bahia e estou aqui há 32 anos.
Clarissa: Você sempre trabalhou aqui no Pelourinho?
Lili: Non, yo trabalhei também na Praça da Piedade. Mostrava o meu trabalho lá, mas depois vim pro Pelourinho porque a concentração maior de turistas e artistas era aqui.
Clarissa: A gente sabe que o Pelourinho ainda é visto como uma área marginalizada. Você acha que por isso diminuiu o número de turistas por aqui?
Lili: Diminuíram os turistas por conta da queda do dólar. A segurança sempre teve. O Pelourinho já foi pior. O Pelourinho já foi muito pior.
Clarissa: Você está aqui no Brasil há muito tempo… Você mora sozinha aqui?
Lili: Si, moro sozinha.
Clarissa: E a família? Você não sente falta das pessoas que ficaram lá na Argentina?
Lili: Tenho um filho carioca. Mas ele mora na Argentina… (risos) Tem 29 anos. Ele é formado em Comunicação Social, é crítico musical. Eu gosto daqui, do clima daqui. Mas eu sempre vou pra lá. De dois em dois anos eu vou pra lá e fico dois ou três meses. Depois eu volto, venho trabalhar de novo (risos).
Clarissa: Eu já vim algumas vezes aqui, conheço o pessoal daqui do beco dos artistas, mas é a primeira vez que te vejo. Você vem todos os dias?
Lili: Não venho todos os dias, geralmente sábado e domingo. Esses dias eu sempre venho. É que o meu trabalho é todo feito com pincel, muito trabalhoso. Tem que fazer na oficina. Então eu passo a semana toda produzindo, né? Depois eu trago pra cá no final da semana.
Clarissa: As pessoas passam e te cumprimentam! Você é bastante conhecida por aqui! Seu trabalho já passou por exposições?
Lili: Si, si! Fiz exposição no Teatro 18, Aliança Francesa, Alambique, no MAM de Feira de Santana, no Centro Cultural Caetano Veloso, em Santo Amaro. Vários lugares! Ah, e tenho exposição permanente também no Solar Ferrão e na Galeria 13.
Clarissa: Você só pinta em camisas e bolsas?
Lili: Non, pinto em telas também, mas não vendo. È só para mim mesmo. Faço pesquisa em pintura com a Irmandade da Boa Morte, de Cachoeira, e do Carnaval. O meu trabalho é todo assim! Carnaval e Irmandade da Boa Morte. Trabalhei com xilogravura por muito tempo. É a minha paixão! Mas acabaram com as ferramentas no MAM e no CUCA de Feira de Santana…
Clarissa: O seu trabalho é mais consumido por estrangeiros ou brasileiros?
Lili: Geralmente estrangeiros, brasileiros, de qualquer lugar do mundo. É quem gosta de arte! Não tem nação, o meu trabalho! (risos)
Foto: Karina Brasil / Texto: Clarissa Pacheco
Trabalho entregue ao professor Nelson Soares, pela disciplina Fotojornalismo II.
